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.Portugal na rota dos milionários

Fonte:  Diário de Notícias

2009/11/27
Portugal na rota dos milionários

Cerâmica de luxo

Mais sofisticada, a cerâmica está a conquistar o mercado de luxo, que floresce nos países árabes e na Rússia. Cerca de 40 empresas que apostaram na inovação já exportam 60 milhões para este nicho. Casas reais, palácios de emires ou a Casa Branca são clientes.

O Senado russo e a Casa Branca, mesquitas e igrejas ortodoxas, palácios de emires e casas reais, jactos privados e alguns dos melhores hotéis do mundo estão a comprar cerâmica portuguesa de luxo. Um mercado em que já apostam 40 empresas nacionais, que vendem 60 milhões de euros por ano para este exclusivo nicho de mercado, que floresce imune aos tempos de crise.

Se tiver o privilégio de alguma vez viajar no Maharaja Express, um dos comboios mais luxuosos do mundo, que percorrerá a Índia a partir do próximo ano, vai beber chá e saborear refeições servidas em porcelana portuguesa revestida a platina. O exigente concurso internacional para fornecer cerca de 5 mil peças àquele comboio foi ganho pela Porcel, empresa de Oliveira do Bairro, que está a especializar-se na cerâmica de luxo para exportação.

As discretas instalações da Porcel são procuradas também para responder minuciosamente aos caprichos de emires - quando fazem faustosas festas de casamento para cinco mil convidados - em que um prato decorado com três tipos de ouro pode custar 200 euros. Mas também as casas reais da Noruega e do Mónaco. "Neste segmento, muito exigente, o produto é muito personalizado, pensado à medida do cliente, que às vezes vem cá mais do que uma vez até obtermos, em conjunto, o que realmente pretende", explicou ao DN o director comercial da Porcel, Paulo Amaro, que produz cerca de 4 milhões de peças por ano, 70% das quais para exportação. Um terço da sua produção destina-se ao mercado de luxo internacional, com os Estados Unidos à cabeça, a Escandinávia, países árabes e Europa de Leste.

Porque as preferências estéticas dos mercados em que opera são muito diferentes - um nórdico gosta de linhas simples, um árabe aprecia o fausto e o ouro - , a Porcel muniu-se de designers de várias nacionalidades para além de uma aposta forte na engenharia para desenvolver materiais exclusivos, difíceis de reproduzir. "Ao fim de 22 anos de existência - com uma viragem estratégica na última década -, temos a consciência de que se não tivéssemos optado pela investigação, design e produtos de topo, provavelmente não teríamos sobrevivido", salienta Paulo Amaro.

Foi esse golpe de asa que permitiu igualmente à Faria & Bento resistir à crise que levou ao encerramento de cerca de 150 fábricas de cerâmica na última década e, ao contrário, vingar no mercado internacional, para onde exporta 98% da sua produção. Aquela empresa de Alcobaça, que começou em 1982 com 18 pessoas e hoje emprega 160 trabalhadores, percebeu, nos anos 90, que não poderia continuar a produzir a mesma faiança que as suas concorrentes. "Contratámos um professor sueco que esteve cá um mês a dar formação e estivemos seis meses a produzir só para aprender", conta Carlos Faria, administrador e fundador da empresa especializada em loiça utilitária e decorativa. "Hoje, temos patenteado um produto único no mundo, o grés porcelânico, concebido para ser mais resistente, leve e passível de trabalhar numa vasta gama de cores." Orgulhoso do reconhecimento internacional, "a marca portuguesa de hotelaria mais conhecida no mundo", Carlos Faria gosta de pegar e afagar a maciez de um prato revestido a platina que pode ir à máquina de lavar, concebido ali mesmo, ou em coloridas panelas de cerâmica que podem ir ao forno e ao micro-ondas e são, antiaderentes. A empresa espera facturar 4 milhões de euros.

É também à inovação que a Topcer, empresa especializada em revestimentos de estilo vitoriano, deve uma crescente procura dos mercados internacionais, para onde exporta 93% da sua produção. "Hoje mesmo chegou-nos uma encomenda para revestir o chão de uma igreja em Saratov, na Rússia", disse ao DN Alexandre Lopes, o sócio-gerente da empresa que factura cerca de 5 milhões de euros a fornecer mesquitas no Bahrein, o melhor hotel do mundo no Dubai, pubs ingleses, o palácio do Governo de Angola ou as casas de banho do novo World Trade Center.

 
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